Dia da Polícia Civil: Qual sentimento a polícia te desperta?
- Rafaela Merino
- 21 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
É sabido que muitas pessoas não confiam nas instituições policiais. Só a palavra “força”, aliada à ideia de “força policial”, já carrega consigo inúmeros sentidos negativos — e, para muitos, diversos gatilhos. Não é?
Algumas pessoas já vivenciaram a violência policial. Isso é um fato. Não estamos vivendo em um mundo paralelo. A violência contra negros e pessoas pobres, por exemplo, é a mais destacada em estudos sociais, como apontam relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Existe um padrão cultural enraizado que ainda precisa ser enfrentado.
Mas o ponto principal que muitas vezes passa despercebido é: todos nós, em algum momento, já vivenciamos a proteção policial — de forma invisível, todos os dias. Você talvez não tenha percebido que não foi assaltado, que não sofreu uma violação ou que não esteve envolvido em um acidente de trânsito porque, de alguma forma, a ordem pública foi mantida. A vida parece estar acontecendo normalmente… Mas não está. Existe um sistema funcionando nos bastidores, silencioso e crucial.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 544.980 policiais em atividade — incluindo Polícia Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e Corpo de Bombeiros Militar. Esses profissionais dedicam suas vidas, e frequentemente colocam em risco a segurança de suas próprias famílias, para proteger cada um de nós. E isso nem sempre é reconhecido.
Em 2024, embora ainda não existam números fechados, estima-se com base nos dados anteriores do FBSP e de instituições estaduais que mais de 150 policiais tenham perdido a vida em serviço no Brasil. São mortes que muitas vezes passam despercebidas pelo grande público, mas que deixam marcas profundas nas famílias e corporações.
Isso não é uma tentativa de negar a existência de maus policiais. Eles existem, sim — como existem maus profissionais em qualquer outra categoria. No entanto, quando você generaliza uma classe inteira com base nas atitudes de uma minoria, você enfraquece os bons. Você faz com que esses profissionais questionem se o que fazem realmente vale a pena. Você desmotiva, fragiliza, e, em última instância, compromete o serviço que é prestado à sociedade.
Estudos recentes indicam que cerca de 65% dos policiais brasileiros relatam sintomas compatíveis com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Apesar disso, a maioria deles não recebe o acompanhamento psicológico necessário para mitigar os efeitos emocionais dessa profissão de alto risco. Esses sintomas, quando negligenciados, podem se refletir tanto em atitudes agressivas quanto, mais frequentemente, em danos psíquicos graves ao próprio policial: depressão, ansiedade, burnout e até suicídio.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais policiais morrem por suicídio do que em confrontos diretos em serviço. Isso revela o quão urgente é o cuidado com a saúde mental dessa categoria.
Hoje, no Dia da Polícia Civil, o convite é à reflexão. Nem todo herói veste capa — alguns vestem colete, carregam cicatrizes invisíveis e saem de casa sem saber se vão voltar. Antes de julgar, conheça. Antes de criticar, questione. E, sobretudo, valorize quem está do outro lado tentando proteger você — mesmo que você nunca tenha notado.


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